Carlos Viana
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Carlos Viana nasceu em Braúnas, no Vale do Rio Doce, filho de caminhoneiro e de professora. Aos doze anos já era engraxate e office boy, estudava à noite em escola pública e enfrentava horas de ônibus para chegar na sala de aula. Serviu o Exército Brasileiro, foi representante da Lufthansa por seis anos entre Minas e a Alemanha, deu aula em universidade e se formou jornalista. Depois vieram quase trinta anos de reportagem, passando pela Rede Minas, pela TV Globo, pela Alterosa e pela Record.
E em 2025 ele foi eleito presidente da CPMI do INSS. Você precisa entender o que estava sendo investigado ali, porque não era desvio em obra nem propina em contrato, era dinheiro tirado todo mês direto do benefício de quem já tinha trabalhado a vida inteira. Gente de setenta, de oitenta anos, com desconto na aposentadoria que nunca autorizou, descobrindo às vezes anos depois que estava pagando por uma associação que nunca conheceu.
Era o dinheiro do remédio, era o dinheiro do gás, era o dinheiro que a avó guardava para dar de presente para o neto. Carlos Viana passou sete meses sentado na cadeira mais incômoda de Brasília presidindo essa investigação, foram sete meses de depoimento, de quebra de sigilo, de gente poderosa obrigada a responder na frente dele, comprando briga com quem tinha dinheiro, advogado e padrinho.
O relatório final saiu com mais de quatro mil páginas e pediu o indiciamento de duzentas e dezesseis pessoas, e a maioria da comissão rejeitou esse relatório. Quatro mil páginas de investigação sobre o roubo dos aposentados foram para a lata do lixo numa votação de dezenove a doze.
E foi aí que ele mostrou quem é, porque não engavetou nada. Pegou o relatório rejeitado, foi até o Supremo Tribunal Federal e entregou pessoalmente na mão dos ministros, para que aquilo fosse anexado aos inquéritos e a investigação continuasse correndo fora do Congresso.
Depois denunciou o que tinha visto por dentro, dizendo que quase sessenta pessoas foram blindadas, sessenta pessoas que nunca precisaram explicar por que receberam dinheiro nem para onde foi o dinheiro do aposentado. No dia em que fecharam a comissão, ele disse que saía de cabeça erguida e com a sensação de dever cumprido.
Muita gente em Brasília teria aceitado o resultado daquela votação e ido para casa, porque era mais fácil e ninguém cobraria nada.
Carlos Viana escolheu o caminho difícil, porque quem passou trinta anos ouvindo o povo mineiro não consegue fingir que não ouviu. Eles conseguiram fechar a comissão, mas não conseguiram calar o senador.